quinta-feira, 26 de março de 2009

Meu Rio

E para que servem os sentimentos se algumas pessoas fogem deles e outras são consumidas por eles?

Como em tudo, raramente os extremos são saudáveis. Vejo nossas emoções como uma maneira que nossa raça encontrou para produzir uma força incrível capaz de arrastar caminhões, derrubar paredes e levantar montanhas.

E com elas que também se cria, e se curte, arte. E com a arte nos expressamos de forma inalcançável para o mental. Outra função linda do nosso emocional.
Quando entramos em maior contato com o que somos começamos a nos relacionar conosco de uma forma diferente. Percebemos mais a conexão entre nosso corpo físico, nosso mental e nosso emocional, assim como nos tornamos mais conscientes da capacidade e das funções de cada um deles e passamos a usá-los melhor.


Gosto de imaginar que tudo o que eu sou é uma energia, como um rio que desce uma montanha. Para mim é um jeito muito legal de me sentir e lidar comigo mesmo.
E quando consigo colocar isso em prática minhas emoções tornam-se um motor que me permitem realizar muito mais no meu trabalho, no basquete, nos meus relacionamentos.
Elas produzem uma força impressionante que posso usar como bem entender.

E todos podemos fazer isso. Se voltar a sua atenção para dentro de si, vai conseguir sentir as emoções se formando e vai percebê-las como uma energia elétrica, como um rio.

E também vai sentir que, assim como um rio, essa energia precisa ter uma fonte e uma continuação. Se parar alguns instantes para perceber uma emoção com tal profundidade vai conseguir conduzi-la da forma que desejar, seja para aumentá-la, para diminuí-la ou para cessá-la.

Com a consciência de que tal energia precisa de uma fonte e uma continuação dessa fonte podemos escolher alimentá-la ou não. Se a emoção surge e contribui para nossa qualidade de vida, para nosso bem estar vamos alimentá-la pensando mais no que a gerou, lembrando da sensação. E se a emoção não faz isso, você tem que saber que ela só estará com você enquanto você permitir e estiver alimentando-a. Fácil assim. O que dá um pouco mais de trabalho é lembrar disso quando nos sentimos bem tristes.

Mas precisamos escolher se queremos ficar naquela situação ou se queremos nos sentir bem.

E para deixar de alimentar uma emoção não desejada basta que nos afastemos daquilo que nos fez soltar tal sentimento, façamos algo que nos gere uma emoção diferente. Que nos ajude a evitar pensar naquilo que nos incomoda. Mesmo que seja um problema ou algo que precisemos resolver deixemos para fazer isso quando nossas emoções estiverem estáveis.

O que ocorre é que nem sempre lidamos bem com o que produziu essas emoções. Ou é algo tão bom que nos deixa bobos ou algo tão triste que nos deixa arrasados.
Quanto a isso o importante é saber que a vida simplesmente acontece. Eventos e problemas acontecem. E tão importante quanto é saber que nós produzimos estes eventos.

E o estado das nossas emoções pesa enormemente na nossa tomada de decisões, isso posto em outras palavras: nosso emocional nos ajuda a construir nosso futuro.
E que futuro queremos para nos? Um que pareça um acidente ao qual temos que nos adaptar ou um que seja resultado de escolhas conscientes e produtivas?

Vamos respirar mais, descansar nossos pensamentos, desacelerar, curtir e respeitar nosso corpo, seja na forma de lidar com ele, na sua limpeza ou no que comemos e nos relacionarmos melhor com nossas emoções pelo simples fato de que disso depende nossa vida. E, nem ia falar mas, nos dá um enorme prazer.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Dois Sóis

Quero te ver, respirar o hálito da tua boca, aquecer meu corpo no seu.

Quero adorar os detalhes do teu rosto e desfrutar dos teus aromas como se nada mais no mundo importasse.

E sentir o tempo desacelerar como se toda a natureza parasse para admirar a beleza dos nossos corpos se encaixando, se amando e espargindo arte, tesão e carinho como um sol espalha luz e vida.

domingo, 8 de março de 2009

Tão bom!


Na presença de uma criança, escolho mil vezes a companhia dela. Terei outras chances de parecer maduro e profundo.

Mas chances de enfrentar monstros jupiterianos, voar com minhas próprias asas, ter carros velozes, submarinos nucleares, aviões espacias que param por falta de gasolina...

Ah, essas são raríssimas!

Mas para que serve esse botão?

-Você tem que gritar quando quiser descer! Ensina o motorista do ônibus.

Estava ele distraído do sinal de parada solicitada e quando apontei a porta olhando para o cobrador, o motorista interveio.

E pensei que muita gente se acha fracassada pois ficou esperando o resultado. Sem gritar. E pensei também que muita gente grita, mas sem saber exatamente o que quer. E tanto um quanto outro muitas vezes se acha vítima do mundo.

É tão óbvio: o mundo não vai descobrir o que você quer e entregar numa bandeja de ouro.

Dê ouvidos ao motorista!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Fog

Descobri que sou esfumaçado. Cada pessoa possui suas próprias formas de se relacionar com o mundo a sua volta. A minha é esfumaçada.

Quando estou em um lugar deixo que minhas percepções se espalhem ao redor, vou atrás de aromas, cores, intenções, olhares. Parece que estou tentando envolver tudo o que está à minha volta. Como se fosse entrando pelas frestas das mais densas barreiras, abraçando completamente as pessoas que conversam comigo, sentindo o tato da música que toca. Mas também me disperso com uma facilidade irritante.

Pareço impossível de se agarrar, Meus pés ficam só metade fixos ao solo e esqueço. Esqueço nos momentos e nas situações mais improváveis.

Estou sempre voando entre características que seriam contraditórias em outras pessoas.

Quando percebi que sou como uma névoa, fiquei meio tenso. Pode-se parecer fútil tendo essa característica.

Mas as brumas podem atravessar fronteiras intransponíveis para outros estados da natureza.E podem nos envolver sem nos incomodar e dar-nos uma sensação de um abraço em cada centímetro de pele. Pode se elevar nas alturas e passar despercebida até pelos mais atentos.Sou também desprendido de tal forma que os que não me conhecem pensam que sou descuidado. E às vezes, sou mesmo descuidado. Em outras parece que esta névoa atrapalha minha visão e aí sou menos do que gostaria de ser.

Gosto de me moldar as situações sem deixar de ser eu mesmo. Encaixo-me, me divirto, sou sincero com um sorriso surpreeendente, finjo com uma veracidade inacreditável.

Transformo minha vida num esforço para melhorar, mas muitas vezes pareço imóvel. Adapto-me como a água e posso queimar como o vapor quente. E sou Thiago, uma figura ímpar, um cara comum que vai sendo o que quer e aprendendo com as pessoas. Olhando detalhes, se distraindo para as importâncias da vida. Produzindo, irritando e dividindo minha felicidade com quem quiser e, principalmente, com quem merecer.

Sou transparente.

E flutuo. E desapareço.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O Paradigma da Profissão - por Fernanda Monteforte

Crescemos em um contexto sócio-cultural adverso às mudanças. Quantas não são as famílias que educam seus filhos a seguirem, de olhos atados, o previsível roteiro da novela da vida.

A previsibilidade e falta de criatividade nos fazem perceber que muitos jovens optam pelas carreiras profissionais não pelo brio e pela paixão que nutrem àqueles que fazem o que amam, mas pela acomodação de, simplesmente, seguir o óbvio, almejando a suposta estabilidade financeira.

Pior do que nutrir uma postura servil é a futura constatação de que a sonhada estabilidade, possível frustradora de sonhos, nem sempre ocorre. Os números demonstram cada vez mais uma inversa realidade. Quantos dos tradicionais médicos, advogados, engenheiros ou dentistas estão realmente satisfeitos com o retorno auferido após anos de expressivo investimento em sua formação? Como está o mercado de trabalho para estas profissões?

Fácil também é identificar que a maior parte dos profissionais bem sucedidos é constituída daqueles que fizeram de sua profissão seu mais nobre ideal de vida.

Médico, policial ou ator, quem trabalha por amor, comprometimento, abnegação ou vocação assume o poder de transmutar chumbo em ouro puro, como o conhecido Rei Midas da Mitologia Grega.

Assim, os conceitos de trabalho e bem-estar jamais serão antagônicos.

Restringir-se de sonhar ofusca o colorido da vida. Muitas pessoas trabalham para viver e, ironicamente, perdem suas vidas assim...obstadas pelos condicionamentos da hipocrisia. Essas amarras normalmente são vinculadas ao receio de mudar.

Trabalhar por um ideal é uma força motriz de muitas realizações. A vontade de deixar nossa marca no mundo, de construir para que, cada vez mais, nos tornemos verdadeiros arquitetos da raça humana, torna nossa espécie tão generosa e especial.

Convido-lhe a um mergulho na sua intimidade. Estamos o tempo todo a tecer nosso destino, que ao invés de tirano e cruel pode ser tão maleável quanto desejarmos. A cada minuto, nossos pensamentos, palavras e ações moldam a nossa estória, mudam nossa vida.

Mude o mundo, comece por você.

sábado, 18 de outubro de 2008

Tento agarrar. E me soltar.

E esfrego a janela , como se estivesse tirando a sujeira de mim. Aumento o som para não ouvir meus pensamentos.

Está tudo tão claro. Ou será que só complico algo simples? Talvez não haja nada para saber.

Nada a limpar. Escrevo sem querer um público. É possível? Vontade de esconder que, às vezes, tenho algo a esconder.

Não quero possuir. Não me agrada. Desejo entender. Encanta-me.

É a liberdade ou o carinho que assusta? Façamos um trato. Depois, se tudo for como as pessoas querem, façamos um contrato. Prestar atenção nas próprias vontades é poesia.

É o que querem que eu acredite.
Mas para mim o primeiro passo para não respeitar os demais é não respeitar a mim mesmo.