terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Um presente lindo que ganhei!
A artísta plástica (e futura Instrutora do Método DeRose) Isabel Salgado, minha amiga tão querida, deu-me uma prenda linda que quero compartir convosco. Obrigado, menina talentosa e tão doce!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Primeiras luzes
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Por Martinha Ferreira
Adoro o teu riso ao telefone.
Imagino a tua boca descontrair e os teus dentes cor de marfim sentirem os lábios a deslizarem sobre eles e revelarem o brilho quase canino que é só teu.
Imagino-te rodar languidamente sobre os ombros e desenrolar o fio do telefone que não pára de tocar. A brancura dos teus dedos perde-se nos lençóis da manhã próxima e a tua pele arrepia-se sempre que a aragem assobia ao de leve por cima da epiderme nos calcanhares.
Soltas uma leve melodia rouca e gasta como a qualidade de imagem das curtas-metragens e ris-te perdida de tão só e tão pequena num mundo tão cheio e feito à escala de alguém que mede mais três palmos que a tua pessoa.
“Juro.” Não juras mas juras, que algo que não foi jurado irá ser por ti – que não juras mas juras na mesma. Desencadeia um sorriso virtual, sente a respiração do telefone no teu ouvido e rasga as falanges pelo cabelo.
Um estrondo – porque rodaste para além da borda da cama como rodas habitualmente fora dos limites e arranhas aquilo que não te pertence – um por um ouves os ossos embaterem na madeira como marionetas fora do palco e manchaste o cal dos teus dentes com hemoglobina de um tecido labial frágil. Corres os dedos pela boca quando libertas a mão e voltas a compor alto e bruscamente como se de alguma debilidade mental sofresses; quebras o silêncio mais uma vez.
Adoro o teu riso ao telefone.
Imagino a tua boca descontrair e os teus dentes cor de marfim sentirem os lábios a deslizarem sobre eles e revelarem o brilho quase canino que é só teu.
Imagino-te rodar languidamente sobre os ombros e desenrolar o fio do telefone que não pára de tocar. A brancura dos teus dedos perde-se nos lençóis da manhã próxima e a tua pele arrepia-se sempre que a aragem assobia ao de leve por cima da epiderme nos calcanhares.
Soltas uma leve melodia rouca e gasta como a qualidade de imagem das curtas-metragens e ris-te perdida de tão só e tão pequena num mundo tão cheio e feito à escala de alguém que mede mais três palmos que a tua pessoa.
“Juro.” Não juras mas juras, que algo que não foi jurado irá ser por ti – que não juras mas juras na mesma. Desencadeia um sorriso virtual, sente a respiração do telefone no teu ouvido e rasga as falanges pelo cabelo.
Um estrondo – porque rodaste para além da borda da cama como rodas habitualmente fora dos limites e arranhas aquilo que não te pertence – um por um ouves os ossos embaterem na madeira como marionetas fora do palco e manchaste o cal dos teus dentes com hemoglobina de um tecido labial frágil. Corres os dedos pela boca quando libertas a mão e voltas a compor alto e bruscamente como se de alguma debilidade mental sofresses; quebras o silêncio mais uma vez.
Adoro o teu riso ao telefone.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Aprendendo.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Elephants & buttterflies... sound & movement by Joana Cabral

A butterfly is a natural born dancer. She wanders about by herself and flies around the wonders and ugliness of the world. She is a distracted but keen observer… witnessing and compiling images, sounds and movements… Capturing stories in the form of sweet cotton fantasies, dreams and expectations, as well as warning memories and dreadful scaring threats… A butterfly keeps dancing despite all the risks she, by observation, became aware. What other purpose would her colorful wings serve? And if her wings had no purpose, what would then be the purpose of her own existence? This is why she dances even when scared and running from danger. She has all sorts of choreographies for her dances. She dances exuberantly to dazzle the world, capture attention in a generous effort to put a smile on others face. She dances gently caressing the ones she loves, graciously and near enough so that the movement of her wings produces a lullaby song. She dances at distance, surfacing from a protective distance, collecting evidences, recognizing others as possible partners for dance and play. The butterfly dances even when she’s frighten and fearing for the eternal dream of joyful and peaceful happiness. Why does she keep dancing in dangerous conditions? Well, her wings don’t allow any other movement but dance… it’s her communication tool. If motionless she shall die.
Butterflies are cautions, aware of their fragile condition, yet curious at the same time. They sometimes fly closer to others… teasing them to share… other times a butterfly doesn’t resist when another stares and calls her, intrigued by her colorful movements describing a silent enchanting song… ‘cause, you know, butterflies are giving and sharing creatures… the truth is that, tough shy, they secretly desire care and admiration. Butterflies have a special attraction for elephants… they look so gentle and caring when carefully observed… and so they grasp their curiosity… the butterfly wonders: “this creature looks so much bigger than me… we have so distinct physiognomies… yet he looks as peaceful and gracious.”. “Could I dance with you elephant?”, asks the butterfly, while joyfully flying around the elephant’s tail, before their eyes, around their strong and heavy feet. And the elephant, he finds the butterfly funny and sweet, he learns to enjoy her company. He sometimes very much wants to dance along with the butterfly. He feels clumsy yet delighted… he is not used to graceful and joyful movements… the elephant just walks majestically keeping his eyes, undistracted, on nothing more than possible menaces to himself and his kind. Elephants care for their own protection so tenaciously that they sometimes feel bored and lonely. But it’s a hard choice to make… "distraction (they think) may be paid at a too high price", possibly costing their safety… but too much caution condemns them to slavery and loneliness.
Funny… butterflies are so much fragile than elephants… yet so less cautions and concerned… the secret must be in the wings… the butterfly can fly away towards the sun if she wants and just disappear… but her strive will always be to try it all.
Should butterflies dance with elephants? Who’s in greater danger? Is it possible for them to synchronize their movements and dance around with no risk of injuries?
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Gracinha.
Teu cheiro em mim!
Vivas estão as partes nas quais te apertaste contra (a favor, na
verdade) meu corpo.
Teus olhos incrédulos fazem-me sentir bem.
E o mundo torna-se esse olhar e o sorriso que dou-te em troca.
Minhas mãos movimentam-se sozinhas a pedir-te.
E
só
esperamos
o fôlego
voltar...
Vivas estão as partes nas quais te apertaste contra (a favor, na
verdade) meu corpo.
Teus olhos incrédulos fazem-me sentir bem.
E o mundo torna-se esse olhar e o sorriso que dou-te em troca.
Minhas mãos movimentam-se sozinhas a pedir-te.
E
só
esperamos
o fôlego
voltar...
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
por Martinha Ferreira
A brisa vem quente e delicada, como carícias de uma mãe, correr os dedos pelos cabelos e desprender as últimas folhas das árvores cruas e recortadas num pôr-do-sol escondido. Pés ante pés pisam o falso chão de caruma e mel, os tecidos mortos estalam pelas solas de borracha, a cabeça pende para a frente numa melancolia desprendida.
É doce, este Outono, este cheiro a estrume quente e a erva cortada, a rebentos secos e a cascos e feno fresco. Lá ao longe um vitelo passeia os olhos pelos humanos pesarosamente e delicia-se com um dente-de-leão por entre as mandíbulas. A erva e a terra fundem-se bem como o céu escuro e feio lá ao longe; o vento amedronta-se e arrefece, e tudo perde a gentileza de um tarde. A noite não chega, mas o sol vai na mesma, e o momento pára. Imóvel. Ileso.
Olho e quero-te ali, quero-te ali naquele momento, quero ver-te apertar a gola da camisola contra o pescoço e franzir as sobrancelhas como se duas agulhas tas prendessem; depois o teu riso solta-se, um galho quebra-se e desapareces.
A dois passos, elas vêm num trote lânguido contra passos pequenos e receosos, e os seus focinhos aprontam-se ao nível da nuca, os lábios roçam sobre os ombros e o pescoço contrai em pulsações destemidas. E se são belas! Nos seus castanho-pimenta e cortiça adocicada, depois talvez um cinzento grafite e um poldro de faixa branca, que cheira e sente qual ser tão diferente.
Um focinho impaciente empurra pela zona da cintura enquanto dedos se entrelaçam em crinas e orelhas, e o poldro suspira de contentamento; são quatro, quatro fêmeas imensas que engolem o corpo em carícias, ao ponto dos dedos se tornarem pretos da sujidade do pelo macio e sedoso e os pés se perderem no meio de cascos.
Desprendo-me e elas correm, fogem e voltam a correr, numa elegância de um dia puro, sobre músculos e articulações quentes, suadas e apaixonantes; um olhar doce espelhado, uma alma livre. Completamente livre.
Lusitano, sinto, suspiro e respiro. Poderia adormecer eternamente por entre feno dourado e éguas mansas, se ao menos olhasse, e te visse a ti.
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