Adoro o teu riso ao telefone.
Imagino a tua boca descontrair e os teus dentes cor de marfim sentirem os lábios a deslizarem sobre eles e revelarem o brilho quase canino que é só teu.
Imagino-te rodar languidamente sobre os ombros e desenrolar o fio do telefone que não pára de tocar. A brancura dos teus dedos perde-se nos lençóis da manhã próxima e a tua pele arrepia-se sempre que a aragem assobia ao de leve por cima da epiderme nos calcanhares.
Soltas uma leve melodia rouca e gasta como a qualidade de imagem das curtas-metragens e ris-te perdida de tão só e tão pequena num mundo tão cheio e feito à escala de alguém que mede mais três palmos que a tua pessoa.
“Juro.” Não juras mas juras, que algo que não foi jurado irá ser por ti – que não juras mas juras na mesma. Desencadeia um sorriso virtual, sente a respiração do telefone no teu ouvido e rasga as falanges pelo cabelo.
Um estrondo – porque rodaste para além da borda da cama como rodas habitualmente fora dos limites e arranhas aquilo que não te pertence – um por um ouves os ossos embaterem na madeira como marionetas fora do palco e manchaste o cal dos teus dentes com hemoglobina de um tecido labial frágil. Corres os dedos pela boca quando libertas a mão e voltas a compor alto e bruscamente como se de alguma debilidade mental sofresses; quebras o silêncio mais uma vez.
Adoro o teu riso ao telefone.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Aprendendo.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Elephants & buttterflies... sound & movement by Joana Cabral

A butterfly is a natural born dancer. She wanders about by herself and flies around the wonders and ugliness of the world. She is a distracted but keen observer… witnessing and compiling images, sounds and movements… Capturing stories in the form of sweet cotton fantasies, dreams and expectations, as well as warning memories and dreadful scaring threats… A butterfly keeps dancing despite all the risks she, by observation, became aware. What other purpose would her colorful wings serve? And if her wings had no purpose, what would then be the purpose of her own existence? This is why she dances even when scared and running from danger. She has all sorts of choreographies for her dances. She dances exuberantly to dazzle the world, capture attention in a generous effort to put a smile on others face. She dances gently caressing the ones she loves, graciously and near enough so that the movement of her wings produces a lullaby song. She dances at distance, surfacing from a protective distance, collecting evidences, recognizing others as possible partners for dance and play. The butterfly dances even when she’s frighten and fearing for the eternal dream of joyful and peaceful happiness. Why does she keep dancing in dangerous conditions? Well, her wings don’t allow any other movement but dance… it’s her communication tool. If motionless she shall die.
Butterflies are cautions, aware of their fragile condition, yet curious at the same time. They sometimes fly closer to others… teasing them to share… other times a butterfly doesn’t resist when another stares and calls her, intrigued by her colorful movements describing a silent enchanting song… ‘cause, you know, butterflies are giving and sharing creatures… the truth is that, tough shy, they secretly desire care and admiration. Butterflies have a special attraction for elephants… they look so gentle and caring when carefully observed… and so they grasp their curiosity… the butterfly wonders: “this creature looks so much bigger than me… we have so distinct physiognomies… yet he looks as peaceful and gracious.”. “Could I dance with you elephant?”, asks the butterfly, while joyfully flying around the elephant’s tail, before their eyes, around their strong and heavy feet. And the elephant, he finds the butterfly funny and sweet, he learns to enjoy her company. He sometimes very much wants to dance along with the butterfly. He feels clumsy yet delighted… he is not used to graceful and joyful movements… the elephant just walks majestically keeping his eyes, undistracted, on nothing more than possible menaces to himself and his kind. Elephants care for their own protection so tenaciously that they sometimes feel bored and lonely. But it’s a hard choice to make… "distraction (they think) may be paid at a too high price", possibly costing their safety… but too much caution condemns them to slavery and loneliness.
Funny… butterflies are so much fragile than elephants… yet so less cautions and concerned… the secret must be in the wings… the butterfly can fly away towards the sun if she wants and just disappear… but her strive will always be to try it all.
Should butterflies dance with elephants? Who’s in greater danger? Is it possible for them to synchronize their movements and dance around with no risk of injuries?
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Gracinha.
Teu cheiro em mim!
Vivas estão as partes nas quais te apertaste contra (a favor, na
verdade) meu corpo.
Teus olhos incrédulos fazem-me sentir bem.
E o mundo torna-se esse olhar e o sorriso que dou-te em troca.
Minhas mãos movimentam-se sozinhas a pedir-te.
E
só
esperamos
o fôlego
voltar...
Vivas estão as partes nas quais te apertaste contra (a favor, na
verdade) meu corpo.
Teus olhos incrédulos fazem-me sentir bem.
E o mundo torna-se esse olhar e o sorriso que dou-te em troca.
Minhas mãos movimentam-se sozinhas a pedir-te.
E
só
esperamos
o fôlego
voltar...
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
por Martinha Ferreira
A brisa vem quente e delicada, como carícias de uma mãe, correr os dedos pelos cabelos e desprender as últimas folhas das árvores cruas e recortadas num pôr-do-sol escondido. Pés ante pés pisam o falso chão de caruma e mel, os tecidos mortos estalam pelas solas de borracha, a cabeça pende para a frente numa melancolia desprendida.
É doce, este Outono, este cheiro a estrume quente e a erva cortada, a rebentos secos e a cascos e feno fresco. Lá ao longe um vitelo passeia os olhos pelos humanos pesarosamente e delicia-se com um dente-de-leão por entre as mandíbulas. A erva e a terra fundem-se bem como o céu escuro e feio lá ao longe; o vento amedronta-se e arrefece, e tudo perde a gentileza de um tarde. A noite não chega, mas o sol vai na mesma, e o momento pára. Imóvel. Ileso.
Olho e quero-te ali, quero-te ali naquele momento, quero ver-te apertar a gola da camisola contra o pescoço e franzir as sobrancelhas como se duas agulhas tas prendessem; depois o teu riso solta-se, um galho quebra-se e desapareces.
A dois passos, elas vêm num trote lânguido contra passos pequenos e receosos, e os seus focinhos aprontam-se ao nível da nuca, os lábios roçam sobre os ombros e o pescoço contrai em pulsações destemidas. E se são belas! Nos seus castanho-pimenta e cortiça adocicada, depois talvez um cinzento grafite e um poldro de faixa branca, que cheira e sente qual ser tão diferente.
Um focinho impaciente empurra pela zona da cintura enquanto dedos se entrelaçam em crinas e orelhas, e o poldro suspira de contentamento; são quatro, quatro fêmeas imensas que engolem o corpo em carícias, ao ponto dos dedos se tornarem pretos da sujidade do pelo macio e sedoso e os pés se perderem no meio de cascos.
Desprendo-me e elas correm, fogem e voltam a correr, numa elegância de um dia puro, sobre músculos e articulações quentes, suadas e apaixonantes; um olhar doce espelhado, uma alma livre. Completamente livre.
Lusitano, sinto, suspiro e respiro. Poderia adormecer eternamente por entre feno dourado e éguas mansas, se ao menos olhasse, e te visse a ti.
domingo, 25 de outubro de 2009
A vida pede!

Estou a caminhar com umas pedras de granizo na mão. A admirar a vida, a perceber umas forças.
Vejo uma ave enorme a atacar um grupo de aves menores.
Amo o simples e quero mais.
Meus olhos ficam atentos a todos os detalhes da rua.
O céu é meticulosamente desenhado para ser inspirador e belo.
É a vida a pedir para ser.
E caminho procurando algo para admirar.
Vejo um gato a ensinar os filhotes a andar em muros. Será que gatos ensinam isso? Qual deve ser a média para passar de ano?
Vejo o cimento quebrado e um ramo a sair da fenda. E faço estórias na cabeça, com o ramo a empurrar e quebrar sozinho o chão. Precisa mesmo respirar.
Quer nos ensinar a querer menos.
É a vida a pedir para sair.
Quer derrotar o cinza feio. Quer ensinar-nos a querer mais. Ensinar-nos a olhar e fechar a boca por uns instantes.
Recolho todas as belezas lá dentro de mim. E penso nas quais vou dividir com quem.
E com respeito a minha vontade ou não, o que vejo se instala em mim. E me enriquece, me distrai, me melhora.
Depois tropeço e penso: Puxa, mas estava tão charmoso meu momento.
Pronto, já cheguei em casa. E esqueci a chave.
Vou ter que incomodar o pessoal.
É a vida a pedir para entrar.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Conheci o DeRose

Conheci o DeRose
Quando entrei na Escola de São Bernardo, representante do Método DeRose pensei: - Venho aqui duas vezes por semana e está bom!
Aos poucos travei contato com pessoas lindas, cultas e interessantes. Juntava-se um grupo com pessoas de 17, 25, 37, 43 e 60 anos, advogados, arquitetos, músicos, surfistas, procuradores e conversávamos de igual para igual. As diferenças enriqueciam as ideias e encantavam umas às outras.
Logo percebi mudanças em meu corpo, em meu ânimo, no desempenho no basketball. Percebi que finalmente tinha as ferramentas para trazer à tona tudo o que eu havia sonhado ser.
...
Agora, dez anos depois, após centenas de cursos, jantares e longos papos com o Mestrão já estou totalmente mergulhado na Nossa Cultura.
Pensando sobre como conheci o DeRose percebi que fiz isso quando entrei naquela sala e já comecei a me identificar com aquelas pessoas, aquele lugar, com a amizade, o carinho, o companheirismo e o senso de missão no olhar de cada uma.
DeRose extrapolou a pessoa. Através da herança cultural que ele nos trouxe, que influencia cada minuto do meu dia. Seus ensinamentos são sensíveis e avassaladores. Transformam e sublimam. E ultrapassam quaisquer limites, classificações ou padrões que o empobreceriam se tentassem mesmo enquadrá-los.
Hoje ao nos encantar com a decoração de uma das nossas escolas, ao admirar uma realização de um companheiro, ao perder o ar com uma coreografia estamos conhecendo o DeRose e a visão de mundo que ele nos transmite.
Vejo mais e mais o DeRose quando vou para um lugar conhecido e as pessoas são lindas, amigas e prestativas porque vêem a medalha que carrego ao peito. Conheço-o quando penso no que posso fazer para contribuir com uma pessoa que nunca vi, pois temos um propósito em comum.
Sinto que travo mais contato com a grande mente que ele é, quando através das técnicas da Nossa Filosofia descubro algo sobre mim. Em algumas vezes algo lindo, noutras, um detalhe que preciso mudar.
Sei quem é o DeRose quando extrapolo um limite, quando respeito uma emoção, quando supero um problema. E quando sei olhar toda a beleza de uma brisa que acaricia meu corpo.
Sei que o desvendo quando realizo muito no meu trabalho, quando toco contrabaixo de forma inspirada, quando dou uma aula que transforma as pessoas. Quando amo cada minuto do meu dia.
E quando sinto uma tristeza e sei que ela faz parte de mim, e nem a lamento. Sei que é uma energia a ensinar-me algo. E consigo ver a semente do bem que me abalou. E Sorrio.
Encontro o DeRose enquanto me conheço, enquanto aprendo a gostar mais de mim. Nos momentos em que aprendo a respeitar as pessoas, a não me impor. A defender meus ideais e aquilo no que acredito.
Conheço o DeRose quando o vejo sorrir. E sinto o olhar dele ensinando. Conhecê-lo e também identificar-se com sua mensagem, com suas palavras e com seu amor pela humanidade. E ouvir e assimilar o conhecimento transbordante que ele transmite. e saber-se privilegiado por tê-lo escolhido, como amigo, como supervisor e como Mestre.
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