domingo, 12 de julho de 2009

Estranho...

Era um quarto de madeira próximo à praia com uma parede de vidro. Curtia-se a luz perto do pôr do sol.

Estávamos quase que a acordar, ríamos de algumas bobagens e nos aproximávamos a trocar olhares.

Fiquei abraçado em tuas pernas a olhar o mar enquanto tudo tornava-se alaranjado. Depois sentei-me atrás de ti e fiquei a cheirar teus cabelos, a acariciar teus seios e cintura. Beijei-te a boca, a respirar profundo, como se tentasse te trazer para ainda mais perto. Com um movimento rápido Estava ajoelhado à tua frente e deslizei a língua por tua barriga e envolvi tuas pernas com meus braços. Beijava teu sexo sem pressa, enquanto admirava teu rosto lindo e tuas expressões de prazer(dessas me lembro bem). Passava as mãos por tuas pernas, a excitar-me com teu sabor, tua textura e o calor do teu sexo húmido.
Abracei-te sem tirar os olhos dos teus e aos poucos abria-te o corpo, como a adentrar teus sonhos e tuas vontades, sentia teu corpo encostar-te ao meu como se ultrapassasse a pele e já não mais sabia onde terminavas tu e começava eu. E isso tampouco importava.

Explorava tuas curvas mais íntimas, numa sintonia de velocidade, intensidade e duração.

Sensações, visões, cheiros, toques, sons e sabores se acumulavam de forma que tudo a volta se desmanchava para dar lugar a uma dança só nossa, que sem ser importante para mais ninguém contribuía para dar mais alegria ao mundo. E nos amava-nos com a inocência dos que descobrem algo, como se o próprio sol fugisse do poente a nos admirar e a nos brindar com sua luz mágica, plena em vida e força.

As ondas se moviam ao nosso ritmo e éramos toda a natureza. Toda aquela força despertava ao nosso redor, através dos nossos sorrisos que escapavam, dos sons que saiam de nossas bocas e dos nossos contactos.

Nem posso dizer como acabou, pois não acho mesmo que tenha acabado. O que sinto é que há mais por vir.
E que tudo fica como se estivesse a espera do próximo toque, do próximo olhar, do próximo tu.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

domingo, 14 de junho de 2009

Cinza


Cada vez mais fico convencido que nos ensinam mentiras sobre os opostos. Dizem que quem é bom, nunca é ruim. E que quem é disposto não se cansa nunca. Claro que colocado dessa forma todos diriam: Que absurdo, óbvio que não é assim.
Como se fala na bíblia o homem não podia comer o fruto do conhecimento do bem e do mal. O resultado é que ficamos presos na dualidade e isso interfere seriamente na nossa percepção da realidade e das pessoas à nossa volta.

Quando conhecemos uma pessoa só nos sentimos seguros em relação a ela depois de colocar uma etiqueta de legal, boa e interessante ou feia, invejosa e mesquinha.

Assim sabemos se devemos nos afastar ou nos aproximar dela. Mas o mundo e principalmente o ser humano, não são simples assim.

Nós mesmos, quantas vezes nos sentimos mal ou fazemos algo que sabemos que deveríamos evitar?

Essa segurança que sentimos ao etiquetar as pessoas o mais rápido possível é falsa e nos é prejudicial.

Qualquer análise precipitada de algo complexo como um ser humano tem chances enormes de ser superficial e o pior é que embasamos nosso relacionamento futuro no que vemos nos primeiros momentos ou nos primeiros dias.

Lógico que ajuda termos uma ideia da pessoa com quem estamos lidando mas o comum é que condenemos a pessoa a ficar longe de nós, caso não gostemos na primeira olhada, ou caso gostemos, nos condenemos a ficar perto da pessoa.

Poderíamos simplesmente entender que as pessoas são mesmo ricas em sentimentos, pensamentos, humores e dar-lhes e até mesmo dar-nos mais tempo antes de ter uma decisão pronta sobre elas.

Assim enriqueceríamos nossas relações, por exemplo, com mais atenção. Por que ficaríamos sempre atentos ao que nosso interlocutor tem a nos oferecer, estaríamos sempre colhendo informações que nos ajudassem a lidar com ele e com as demais pessoas à nossa volta sem cair naquela hipnose que algumas pessoas se prendem ao conversar.

E essa atenção a mais seria fortemente sentida pela pessoa que nos ouve e isso deixaria as amizades mais bonitas, os namoros mais apaixonados e as relações de negócios mais produtivas.

E nos faria ver que as mesmas pessoas que em alguns momentos podem nos magoar são aquelas que em outros nos fazem sorrir.

E assim quando decidíssemos nos aproximar mais de uma pessoa essa escolha seria feita de uma maneira muito mais lúcida e com mais razão para tanto. Claro que isso nunca impediria aquela sensação de identificação a primeira vista, pelo contrário, até a reforçaria, pois como estaremos mais atentos às pessoas a nossa volta, quando sentíssemos vontade de nos aproximar ou de nos afastar de alguém, confiaríamos mais em nossa intuição.

Essa também é uma forma de não deixarmos entrar no automático nossos relacionamentos com as pessoas, pois isso é uma das maiores fontes de riquezas que podemos possuir em nossas vidas.

Por isso precisamos saber que nossa vida não pode ser trabalhar para comprar comida e comer para ter forças para o trabalho.

Temos que dedicar algum tempo ao nosso aprimoramento pessoal, ao despertar dos nossos sentidos, a um treinamento de uma forma melhor de nos relacionarmos com o mundo.

Escolha sua forma de aprender a se perceber, a se curtir e conseguir fazer isso com o mundo a sua volta.

Algo desafiador, que respeite seus limites, mas vá desfazendo-os pouco a pouco. Algo que torne seu corpo e seus sentidos mais vivos, que o ensine a lidar com suas emoções.

Isso fará com que estejamos realmente próximos das pessoas, nos tornará capazes de ouvir e assimilar o que falam e aumentará nosso contato com aqueles que queremos e nos protegerá de gente menos interessante. Passamos a nos relacionar melhor com aqueles que não queremos como amigos pois não mais os veremos como ameaças e as amizades e a vida se tornam mais profundas, verdadeiras e gratificantes.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Vontade de perder-me no seu sorriso.

Deixar que nossos corpos se encaixem, sem pretenções, como se o abraço fosse o fim de tudo. Curtindo o início fingindo que não sabemos o que acontece. Curtindo o acontecer, deixando que a pele fale por nós. Olhando, trocando e deslizando nossas mãos.

Como crianças que descobrem algo novo. No novo, uma sensação de identificação e lembrança. Porque o novo também pode ser um reencontro.

E quero mais, sem compromisso, sem esperanças, deixar que o acontecer nos leve para onde bem entender, escolhendo e sendo escolhido a cada instante. Construindo exatamente o que quer, mas fluindo com o vento.
Apenas vivendo seus olhares, seu jeitinho bom.

Para mim isso é seus lábios entreaberto, seus dentes à mostra..

Vontade de perder-me no seu sorriso.

sábado, 18 de abril de 2009

Espelho Mágico


Há uns anos, num curso com o Mestre DeRose, codificador mundial do SwáSthya Yôga, o Yôga Antigo, ele me abriu os olhos para um detalhe óbvio.

Ele mostrou, sobre um outro ponto de vista, a história de Adão e Eva, expulsos do Éden por terem comido o fruto da árvore do bem e do mal.

Perdemos o paraíso quando passamos a enxergar o mundo através da prisão do conceito de polaridades. A visão da dicotomia preto e branco, que nos joga na pobreza de limitar incrivelmente nossa percepção da realidade.

No curso, DeRose cita que não se consegue despertar a energia interna que nos move e pode nos levar ao mais alto grau de evolução ao que se chega o ser humano, no Yôga chamada kundaliní, enquanto se julgar o universo e as pessoas com esse padrão infantil e tolo.

Desde então, venho num processo de levar para meu dia a dia a liberdade de julgamento e de ação que ganho ao parar de decidir quem é bom ou ruim ou parar de tentar ser legal ou ser chato.

E, dia após dia, tenho conseguido ser mais eu mesmo e descoberto que as pessoas em alguns momentos são boas em outros ruins e ainda há quando são entediantes e interessantes ao mesmo tempo.

Lendo um livro de J. A. Gaiarsa, acho que esse processo avançou algumas décadas. O livro chama-se Espelho Mágico, um fenômeno social chamado corpo e alma, uma obra brilhante sobre o quanto nos aprisionamos e nos reprimimos para conviver em sociedade. Também retrata a cegueira que temos em relação à nossa imagem e a influência que ela tem sobre as pessoas que se comunicam conosco.

Descobri que essa visão simplificada de bem e mal faz com que reprimamos uma parte de nosso eu: a que não seria aceita em nossos grupos. Afastando o auto conhecimento e, consequentemente, nossa evolução pessoal, impedindo que sejamos nós mesmos em totalidade.

Isso traz frustrações e cobranças constantes que nem nosso próximo mereceria e muito menos nós mesmos. Tal fato ainda nos deixa longe de nossa felicidade por pedirmos de nós o que outros esperam e não respeitarmos nossas reais necessidades e vontades.

E durante a leitura fica claro que amarmos a nós mesmos, de forma nenhuma exclui o outro pois tudo o que somos e fazemos se formou e acontece na relação com os outros.

Um parênteses: Os caras são incríveis. Conheço o trabalho do Gaiarsa desde que nasci pois minha mãe sempre leu seus livros e me educou ao máximo dentro de suas dicas. O ano retrasado fui a uma palestra dele e o ouvi, me deliciando com um conhecimento transbordante. Quanto ao DeRose, tenho o privilégio de tê-lo como supervisor do meu trabalho de instrutor do Método que leva seu nome. Ele tem uma sabedoria jorrante pelos olhos.

Voltando ao assunto, respeitando-nos teremos mais a ofertar ao outro, pois seremos mais completos e mais felizes tornando-nos melhores companhias.

E a auto repressão se manifesta em uma repressão nas pessoas à nossa volta e, depois, de uma forma mais abrangente, nas próprias leis que regem as comunidades e sociedades, seja em família, no grupo de amigos, no trabalho ou no nosso país.

Sempre achei Gaiarsa um gênio e cada livro seu que compro ou garimpo num sebo me encanta e me desperta.

Preciso ser eu mesmo para me realizar e ter ofertas reais e sinceras a fazer aos que elegi para estarem ao meu redor. O livro vai muito além mas quis me focar nesses pontos de vista.

Recomendo urgentemente. E olha que não gosto nada da palavra urgente.

domingo, 5 de abril de 2009

Ainda não




Olhar que prende, cabelos que envolvem.

Delicadeza que tenta sem sucesso esconder a força interior.

Minha mente foi jogada ao distante imaginando como seriam teus sons, teus aromas e pedindo o privilégio de contemplar-te em movimento.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Meu Rio

E para que servem os sentimentos se algumas pessoas fogem deles e outras são consumidas por eles?

Como em tudo, raramente os extremos são saudáveis. Vejo nossas emoções como uma maneira que nossa raça encontrou para produzir uma força incrível capaz de arrastar caminhões, derrubar paredes e levantar montanhas.

E com elas que também se cria, e se curte, arte. E com a arte nos expressamos de forma inalcançável para o mental. Outra função linda do nosso emocional.
Quando entramos em maior contato com o que somos começamos a nos relacionar conosco de uma forma diferente. Percebemos mais a conexão entre nosso corpo físico, nosso mental e nosso emocional, assim como nos tornamos mais conscientes da capacidade e das funções de cada um deles e passamos a usá-los melhor.


Gosto de imaginar que tudo o que eu sou é uma energia, como um rio que desce uma montanha. Para mim é um jeito muito legal de me sentir e lidar comigo mesmo.
E quando consigo colocar isso em prática minhas emoções tornam-se um motor que me permitem realizar muito mais no meu trabalho, no basquete, nos meus relacionamentos.
Elas produzem uma força impressionante que posso usar como bem entender.

E todos podemos fazer isso. Se voltar a sua atenção para dentro de si, vai conseguir sentir as emoções se formando e vai percebê-las como uma energia elétrica, como um rio.

E também vai sentir que, assim como um rio, essa energia precisa ter uma fonte e uma continuação. Se parar alguns instantes para perceber uma emoção com tal profundidade vai conseguir conduzi-la da forma que desejar, seja para aumentá-la, para diminuí-la ou para cessá-la.

Com a consciência de que tal energia precisa de uma fonte e uma continuação dessa fonte podemos escolher alimentá-la ou não. Se a emoção surge e contribui para nossa qualidade de vida, para nosso bem estar vamos alimentá-la pensando mais no que a gerou, lembrando da sensação. E se a emoção não faz isso, você tem que saber que ela só estará com você enquanto você permitir e estiver alimentando-a. Fácil assim. O que dá um pouco mais de trabalho é lembrar disso quando nos sentimos bem tristes.

Mas precisamos escolher se queremos ficar naquela situação ou se queremos nos sentir bem.

E para deixar de alimentar uma emoção não desejada basta que nos afastemos daquilo que nos fez soltar tal sentimento, façamos algo que nos gere uma emoção diferente. Que nos ajude a evitar pensar naquilo que nos incomoda. Mesmo que seja um problema ou algo que precisemos resolver deixemos para fazer isso quando nossas emoções estiverem estáveis.

O que ocorre é que nem sempre lidamos bem com o que produziu essas emoções. Ou é algo tão bom que nos deixa bobos ou algo tão triste que nos deixa arrasados.
Quanto a isso o importante é saber que a vida simplesmente acontece. Eventos e problemas acontecem. E tão importante quanto é saber que nós produzimos estes eventos.

E o estado das nossas emoções pesa enormemente na nossa tomada de decisões, isso posto em outras palavras: nosso emocional nos ajuda a construir nosso futuro.
E que futuro queremos para nos? Um que pareça um acidente ao qual temos que nos adaptar ou um que seja resultado de escolhas conscientes e produtivas?

Vamos respirar mais, descansar nossos pensamentos, desacelerar, curtir e respeitar nosso corpo, seja na forma de lidar com ele, na sua limpeza ou no que comemos e nos relacionarmos melhor com nossas emoções pelo simples fato de que disso depende nossa vida. E, nem ia falar mas, nos dá um enorme prazer.